Estádio Anal

 

Objectivo: Caracterizar o estádio anal de desenvolvimento na Perspectiva Epigenética de Freud.

 Ideia: a principal fonte de prazer é o ânus que não só satisfaz as necessidades fisiológicas de excreção/expulsão de fezes do bebé, mas também constitui uma zona erógena, ou seja uma fonte de prazer libidinal.

 

«O estádio anal

Nesta fase, dos 12/18 meses até aos 3 anos, as experiências mais marcantes da criança dizem respeito ao controlo voluntário dos esfíncteres, os músculos envolvidos na evacuação. Pela primeira vez, há constrangimentos da realidade externa que adiam a satisfação dos impulsos orgânicos inatos: o conflito resulta da criança ter de aprender a evacuar apenas em certos lugares e ocasiões, adquirindo assim hábitos e regras de higiene.

A necessidade de adquirir hábitos de higiene, controlando as pulsões do ID, mostra que o Ego (que se começara a formar aos seis meses) já se formou. Além disso, o confronto com as imposições parentais quanto à higiene vão fazer surgir, por um lado, o medo de ser punido e, por outro, o desejo de agradar aos pais, iniciando-se assim a formação do Superego que se debate entre o permitido e o proibido.

A relação com a figura maternal continua a assumir um significado especial. De facto, se a regulação dos impulsos biológicos da criança for demasiado exigente e severa, se a mãe ao “treinar” a criança for demasiado severa, pode desencadear na criança sentimentos latentes de hostilidade. E, se estes sentimentos se generalizarem, podem estender-se, dificultando as relações posteriores com todo o género feminino.

Uma das reacções imediatas que a criança pode ter a um treino de higiene severo é a retenção das fezes. E, se este modo de reagir for simbolicamente generalizado a outros comportamentos a criança desenvolverá o que Freud chamou um carácter anal-retentivo. No indivíduo adulto, este carácter manifesta-se por certos traços psicológicos como a teimosia, a mania da pontualidade, a avareza, o egoísmo e, ainda, a obsessão pela ordem e limpeza.

Além desta, pode surgir uma outra reacção simbólica às excessivas pressões de higiene e limpeza. Trata-se da reacção da criança com carácter anal-expulsivo em que a revolta contra um treino de higiene severo não se manifesta pela retenção (que produz auto sofrimento) mas, pelo contrário, pela expulsão nos momentos menos apropriados. Estes indivíduos anal-expulsivos têm traços psicológicos de crueldade, assomos de fúria, de irritabilidade, de sadismo, revelam tendências violentas e destrutivas e, ainda, de desorganização.

Se o treino da criança não assumir aspectos repressivos, se os pais adoptarem uma estratégia firme mas suave, elogiando o controlo adequado das funções excretoras, a criança desenvolverá uma noção positiva acerca do cumprimento das regras de higiene, compreendendo que o respeito por essas regras desencadeia o apreço dos outros.

Por estranho que nos pareça, Freud considera que a solução positiva do conflito da fase anal é a base da criatividade, da produtividade, da entrega positiva a uma causa e da generosidade.»

Luís Rodrigues, (2005), Psicologia 12º ano, Plátano Edª

Maria Antónia Abrunhosa & Miguel Leitão, (1998), Psicologia 12º ano, Areal Edª